Talvez o traço mais pervertido da nossa esquerda seja o cinismo absoluto e insistente com que se faz de vítima, enquanto tenta entregar ao mesmo grupo político seu sexto mandato nos últimos sete.
Não basta ter o líder supremo tirado da cadeia pelos mesmos juízes que perseguiram seus adversários. Não basta ter indicado a maior parte desses juízes, que seguem acumulando poder e trabalhando a seu favor. Nem ter moldado o Estado, a cultura e a sociedade brasileiros ao longo de décadas.
Agem como se todo esse poder avassalador, resiliente e enraizado fosse a única barreira contra o mal absoluto. A ameaça viria justamente das únicas instâncias em que os adversários conseguem exercer alguma pressão: as redes sociais e o voto. Para salvar o Brasil desses bárbaros brasileirinhos que insistem em pensar errado, eles próprios se apresentam como a única salvação. Mais uma vez.
É Tartufo de Molière purinho, em versão política progressista. Aquele pilantra que posa de virtuoso, acusa os outros do que ele mesmo faz e, quando confrontado, se faz de vítima. Você com certeza conhece alguém assim no trato cotidiano. A esquerda brasileira transformou esse arquétipo, um dos mais abjetos, em método de luta política.
Pervertidos.
Após ser refutada com um contraexemplo, a pessoa mudou o critério e caiu num argumento circular:
"Quem estudou de verdade concorda comigo. Sei que estudou de verdade porque concorda comigo."
Um truque besta. Mas eles vibram com isso. E se colocam como quem vai dar nota ao estudo dos outros. Quase um espetáculo involuntário.
Lembrando: eles defenderam um Estado policial na internet a pretexto de combater a "desinformação". Teorizaram e racionalizaram que metade do país deveria ser censurada.
Essas ideias serviram de base para interpretações oficiais de fatos e eventos, justificaram ações de autoridades e o cerceamento de direitos de muita gente nos últimos anos. Tudo em nome de um bem maior, é claro.
Não é irônico que essa mesma turma agora conte as fake news mais esdrúxulas para manipular uma eleição?
Eram apenas argumentos convenientes para ajudar seu lado e prejudicar o outro. Assim como agora acham conveniente espalhar fake news toscas. Essa é a explicação que amarra tudo com o menor número de premissas.
Eles não estão realmente analisando nada. Estão fabricando narrativas. Todo o falatório está a serviço da disputa política travada no mundo real.
Por isso, sempre que um "intelectual" vier dizer quem deve ter o direito de existir e participar do processo político, você deveria mandar enfiar suas ideias sofisticadas naquele lugar.
O mesmo que vota para impedir um candidato de desistir por "risco de manipulação" é quem suspende, por decisão monocrática, uma candidatura 12 horas antes da eleição (decisão que acabou derrubada).
A única consistência interna aqui é saber quem perde e quem ganha. O mesmo acontece com um monte de autoridades do Judiciário, em um monte de decisões.
A turma deles só finge acreditar que há alguma explicação abstrata, norteada por regras, porque, nessa grande disputa, seus interesses se alinham aos do lado que consistentemente ganha. Vejam tudo o que fizeram até aqui. Fingir é o forte deles.
Relator vota contra desistência de Garotinho e cita risco de manipulação do pleito
oantagonista.com.br/brasil/r….
Alex da Matta retweeted
Replying to @neoliberaisbr
Por isso vocês fracassaram e continuarão fracassando: mesmo após um resultado acachapante, previsto há tempos, não revêm as premissas com que leem a realidade.
Como venho dizendo há anos, o eleitorado se aglomerou em torno do bolsonarismo porque eles e seus apoiadores foram vítimas de um estado de exceção. Quando tudo o que temiam aconteceu, era óbvio que não abandonariam Bolsonaro: as pessoas se identificam com as vítimas e com os mártires.
Isso não foi decisão top-down de alguém, muito menos do NOVO. Foi consequência do estava dado.
Chamar "a turma" de bandidos é risível quando o atual presidente foi condenado como operador de um esquema transnacional de corrupção e metade da classe política apareceu em planilhas de propina. Até ser descondenada pelos mesmos juízes que perseguiram bolsonaristas.
Vocês não reconhecem os bolsonaristas como atores legítimos. Precisamente o tipo de mentalidade que criou a situação atual. Mas eles são. O NOVO acertou ao colaborar com eles: foi bom para o partido e para o Brasil. Tenho certeza de que, sem o crescimento do NOVO, o Congresso seria pior por exemplo.
Afetar indignação e gritar não muda nada nem convence ninguém. É melhor Jair se acostumando.
Alex da Matta retweeted
Após uma eleição histórica, só temos uma coisa a dizer: obrigado!
Recado do presidente do NOVO, @eduribeironovo
Essa é a leitura dele agora. Antes da eleição, achava que o Missão elegeria mais deputados.
Fez uma previsão verificável e fracassou miseravelmente. Agora muda o critério para salvar a conclusão: o Novo continua bobo e feio.
O partido quase acabou tentando agradar esse tipo de gente. Felizmente, essa fase ficou para trás.
Parabéns ao @partidonovo30.
Qual a minha leitura sobre o desempenho do @partidonovo30?
Cumpriu o trabalho que se propôs: ser linha auxiliar do Bolsonarismo.
Qualquer um que ganhou ali, ganharia se tivesse com número 22. Talvez até com uma votação mais expressiva. Eram os candidatos influencers puxadores de votos, sintoma da política moderna de redes sociais. Os mesmos que desautorizaram o Zema para puxar saco do Flávio.
É muito parecido com o PSOL e o PT. O PSOL fez um número parecido de parlamentares que o NOVO. Qualquer um ali que se candidatasse pelo PT ou pelo PSOL, na prática, teria desempenho similar. Se a Érika Hilton fosse PT ou PSOL, o que muda?
O NOVO assumiu a postura velha de se fazer política, o que é uma traição aos princípios fundadores da instituição, no qual buscava inovar, trazer quadros de fora da política, e crescer com base na marca institucional, e não através de puxadores de votos. O objetivo de influenciar a sociedade a votar mais pelo prisma partidário do que nominal acabou.
Enquanto isso, a política carece de partidos políticos que coloquem o cidadão ao centro, e não se submeta a ser um balcão de negócios de políticos mau intencionados.
O Partido Missão é quem trouxe uma proposta nova, mas ainda tem muito a amadurecer, inclusive evitar as armadilhas do populismo. Na minha opinião continua sendo o partido que tem mais potencial.
No longo prazo, o maior investimento sempre será ter coragem de fazer o certo.
Alex da Matta retweeted
Prezados QUADRÚPEDES aqui do meu Twitter:
Em 2022, Moraes era o presidente do TSE.
Nessas eleições, Moraes tirava perfis do ar, DE OFÍCIO, por DECISÕES SIGILOSAS.
Nessas eleições, Moraes pedia para um setor do TSE monitorar seus ALVOS para que ele tivesse motivos para suspender seus perfis.
» Esses ALVOS(repito: ALVOS) eram aliados do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro.
Tudo isso foi comprovado.
Tudo isso foi mostrado pela imprensa e por um ex-assessor do próprio Moraes.
Você, meu amiguinho EQUINO, bateu palma para isso.
Agora, você vem falar que Mendonça está censurando?
Agora, você vem falar que Mendonça está interferindo nas eleições?
Agora, você vem falar que Mendonça está ajudando um dos candidatos?
Cadê aquele papo de "é só recorrer"?
Cadê aquele papo de "é pela democracia"?
Cadê aquele papo de "fake news é crime"?
Você, na melhor das hipóteses, é um JUMENTO mal-intencionado.
Imagina que um jornalista diga que "políticos progressistas" planejam pautar a obrigação de pastores realizarem casamentos gays. Não identifica os políticos nem o projeto.
Aí a direita inteira e até parte do centro imediatamente traduzem isso como: "Lula vai obrigar pastores a realizar casamentos gays". Ninguém explica exatamente como chegou de uma coisa à outra. Ninguém checa o fato inicial.
Em poucas horas, o assunto viraliza. Lula é obrigado a se explicar sem ser citado. O jornal acaba tendo que publicar uma errata por uma notícia tão inespecífica.
Consegue imaginar? Eu não.
Os bolsonaristas teriam feito um trabalho muito menos porco de checagem. Teriam desconfiado mais. Percebido que o elo entre "políticos progressistas" e "Lula" é uma extrapolação. Relutado mais em compartilhar.
Não porque o bolsonarismo seja particularmente avesso a fake news. Mas porque o antipetismo deles é muito menos DELIRANTE do que o antibolsonarismo.
Muitos desses idiotas se comportam como se fossem "centristas" ou "moderados", mas são apenas um bando de histéricos ensandecidos. Muito mais do que os bolsonaristas, inclusive.
Não são based. Pensa no tamanho da humilhação.
Alguém decide quais informações chegam até você e até onde você pode falar. Você nasce dentro do projeto de outra pessoa, vive dentro dele e não tem meios efetivos de influir em porra nenhuma.
Até entendo a tentação. A vida é caótica. É confortável quando vem tudo pronto: causa, inimigo, ordem, propósito etc. Mas o lugar para procurar isso é numa religião, na sua família, num hobby. Sei lá, onde quiser. Só não no Estado.
O Estado serve para uma coisa muito menos emocionante: impedir que a gente se mate, arbitrar conflitos, garantir algumas regras e alguns seguros.
Esperar que ele diga quem você é, no que deve acreditar ou para onde a sociedade está indo é coisa de gado.
Se tivesse como medir, eu apostaria que isso aqui tira voto do Lula.
Quem, a essa altura do campeonato, vai perder meia hora vendo Fábio Porchat falar de política depois de quatro anos adormecido quase certamente já vota no Lula.
Ao mesmo tempo, o próprio Porchat vira vidraça. Espere algumas horas e teremos uma série de conteúdos focando na hipocrisia de Fábio Porchat.
Entre quem não vota no Lula, tenho certeza de que o resultado líquido será dominado por nojo e repulsa.
[Fábio Porchat imita Nikolas e estreia a série “Revelando”]
Fábio Porchat estreia “Revelando” reproduzindo uma fórmula de comunicação associada a Nikolas Ferreira: vídeo longo, apresentador no centro, estética documental e encadeamento de personagens para construir uma narrativa política.
O episódio usa o caso Banco Master para conectar Daniel Vorcaro e outros personagens a figuras como Fábio Faria, Flávio Bolsonaro e Nikolas, além de levantar questionamentos envolvendo ministros do STF. O PT praticamente não aparece no eixo narrativo.
Com humor, referências jornalísticas e marcadores de religião, classe e identidade, “Revelando” apresenta uma leitura crítica à direita e tenta disputar um formato de comunicação em que Nikolas se tornou particularmente eficiente. O perigo é beirar a linha tênue entre o sarcasmos e a fé.
Eleitoralmente, o principal teste não será sua repercussão entre quem já compartilha dessa leitura, mas sua capacidade de ultrapassar a bolha progressista e alcançar eleitores menos politizados ou fora desse campo.
Alex da Matta retweeted
🤔
O que você precisa saber para não ser feito de otário
1) Políticos e juízes produzem coisas de altíssimo valor para o setor privado, mas que não podem ser legalmente vendidas: leis, contratos públicos e decisões judiciais. O mercado ilegal para essas três coisas se chama corrupção.
2) Mercados ilegais existem em qualquer país e vão continuar existindo, porque sempre haverá demanda, e todo mecanismo de fiscalização, controle e punição é imperfeito. Isso vale para drogas, aborto ou corrupção. O que se consegue é coibir.
3) O Brasil é o país do patrimonialismo, do jeitinho, da meia-entrada. É isso que domina nossas interações sociais, do candidato a vereador distribuindo exame às mais altas instâncias de poder. Se corrupção existe em qualquer país, o estado 'estacionário' em que ela se estabiliza no Brasil é um absurdo. Esse é o nosso normal.
4) Foi essa normalidade que a Lava Jato perturbou. A república foi virada do avesso e, desde 2016, há um movimento para estancar essa sangria e garantir que isso nunca mais se repita. Se você entendeu o ponto 1, vai perceber que há também interesses privados poderosos por trás.
5) Bolsonaro foi um presidente fraco e estúpido, que passou quatro anos fazendo discurso populista e golpista para o povão sem poder nenhum, enquanto cedeu ao patrimonialismo superpoderoso do centrão, do judiciário e dos grandes grupos econômicos em cargos institucionais que exercem poder real.
6) O mito achou que poderia acomodar esses interesses, garantir 'normalidade' para governar e, de quebra, destruir sua única concorrência ideológica na direita: o lavajatismo. Até foi bem-sucedido nesse último ponto, mas falhou terrivelmente nos dois primeiros: seu comportamento errático e lunático, especialmente após a pandemia, convenceu a elite de que nenhuma normalidade seria possível.
7) Ainda assim, Bolsonaro continuava popular demais. A solução possível foi praticar lawfare e reabilitar o único político com calibre popular para derrotá-lo: Lula. E funcionou.
8) A manobra de salvação da elite brasileira teve a seu serviço dúzias de Joãos Amoedos, que não compreendem nada, e de Reinaldos Azevedos, que compreendem e gostam. Quem venceu não foi a democracia, mas o patrimonialismo.
Eles têm certeza de que estão falando com idiotas.
Ela decide quais fatos importam e quanto devem importar para você rejeitar Lula. Se você fugir do perímetro que ela mesma traçou, ela também decide o motivo: "ódio".
É uma hipótese autofechada. Qualquer fato contrário vira apenas "pretexto" para o ódio pressuposto ad hoc.
O formato do argumento já é ridículo.
Qualquer pessoa com o tico e o teco no lugar deveria ouvir uma porra dessas e perceber que está diante de um truque retórico besta, antes mesmo de entrar no mérito.
Mas eles têm certeza de que estão falando com idiotas. Talvez estejam certos.
Alex da Matta retweeted
🚨
Flávio Dino ATACA Mendonça/Fachin e mostra sua estratégia para livrar Moraes.
Na decisão de retirada do sigilo da operação sobre o Dark Horse em que é relator, Flávio Dino disse estar acompanhando uma nova "orientação jurisprudencial".
Essa orientação seria a de dar publicidade nos trabalhos investigativos já documentados nos autos para previnir "vazamentos seletivos".
A partir daí, Dino começa a dar uma série de indiretas para Mendonça, dizendo que:
» "Tais vazamentos seletivos quebram a imparcialidade na condução da investigação criminal e do processo penal, na medida em que a autoridade estatal passa a escolher alvos, de acordo com amizades e inimizades, ou outros interesses ilegítimos, tais como "agradar" detentores de poder econômico ou político, alimentar passeatas e outros “espetáculos”, ou mesmo gerar ganhos financeiros. Simetricamente, parece haver uma crença de que a ampla publicidade combate outro vício grave: o agente estatal que, seletivamente, promove ocultações, morosidades inexplicáveis, ritmos díspares na análise judicial de medidas requeridas etc."
Só que o principal vem depois:
Dino praticamente diz que Mendonça e Fachin não estão levando as investigações contra Moraes com a mesma "marcha" que a acusação contra Mendonça, além de não terem dado a publicidade devida aos elementos de "prova":
Transcrevo:
"Com isso, creio que estou a zelar pela igualdade de todos perante a lei, já que todos os mencionados nos mesmos autos ou em autos paralelos, mas em idênticas situações, devem receber o mesmo tratamento, desde a abertura das investigações. Por exemplo, se proprietários de bancos, políticos ou magistrados figuram como suspeitos em um conjunto de procedimentos, todas as investigações devem ter marcha congruente, com ampla publicidade (nomes, dados financeiros, contas e fundos movimentados, conversas em WhatsApp, entre outros indícios)."
Em seguida, Dino revela sua estratégia para livrar Moraes:
"Friso: é uma viragem jurisprudencial à vista da tradição plasmada pelo Código de Processo Penal, que certamente merecerá debates mais profundos no Plenário do STF, tanto no que diz respeito ao alcance da presunção de inocência quanto ao risco de abalos à eficiência das investigações."
A estratégia é questionar a imparcialidade de Mendonça e requerer a nulidade das "investigações"(muitas aspas) contra Moraes.
Notem, Dino é muito irônico e debochado. Ele só não consegue debochar do amiguinho dele falando com o banqueiro suspeito de crimes, né?
Só que uma coisa tem que ficar clara:
Dino não tem mais condições de ser o relator desse processo.
Ele está usando o processo para atingir seus adversários. Perdeu qualquer resquício de imparcialidade necessária para conduzir o processo.



















