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Inteligência Acidental é o nome da minha nova oficina de escrita criativa. Com e contra as IAs. Começa 19 de maio. Seis encontros em que leremos e comentaremos nossas ficções breves. Via Meet, toda segunda, das 20h às 23h. Bora?
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Quase 2h de segunda e tem algum samba no meu bairro ecoando alto pelos prédios o "Vou festejar" da Beth Carvalho, a mais imortal música de vingança e ressentimento, só pode ser contra algum patrão.
Cheguei hoje a 70 mil mensagens em 21 anos de Gmail. Só 8 não lidas (não sei onde estão). Uma vida inteira. Uma enorme sensação de espanto e inutilidade.
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A Marcha da Maconha SP não tem patrocínio, não usa carro de som, não tem celebridades, padrinhos políticos ou CNPJ. Tudo é fruto do trabalho voluntário de dezenas de pessoas que organizam o ato. Colocamos mais de 70 mil na rua desse jeitinho 🔥
Venceremos! #legaliza 📷 Ras Press
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Não é alcoolismo se você está bebendo pra suportar as notícias sobre o Corinthians.
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“Um século de Kafka”
A prosa absurda de um profeta moderno.
Certa manhã, ao acordar de um sono particularmente agitado, Franz Kafka se viu transformado num grande escritor. Sua extensa obra – romances, contos, relatos, apólogos – despertara a atenção do mundo e cada uma de suas palavras, certeiras como flechas, havia-se cravado no coração dos homens, despertando-lhes sentimentos puros e elevados. Rico, famoso e influente, ele seria notado nos quatro cantos do mundo: as mulheres faziam a corte, sua prole era numerosa e feliz e a Academia de Letras de Praga lhe dera um assento. Não era para menos: em apenas 41 anos de vida, encurralara a literatura num beco sem saída, fundara uma escola influente – a “escola do absurdo” – e ganharia de Jean-Paul Sartre, muitos anos depois, um elogio lapidar: “Ele simplesmente chegou na frente de todos nós”.
Tamanha personalidade, portanto, só poderia receber de sua cidade natal, Praga, no dia 3 de julho, quando se comemora o centenário do seu nascimento, apenas a homenagem que lá ocorreu: nenhuma. Na vida real, acordado do seu sono agitado, Kafka sairia para a rua, num ritual que lhe tomou doze anos, e das 8 da manhã às 2h da tarde trabalharia com grande dedicação numa companhia de seguros, onde até o dia em que se aposentou receberia relatórios sobre operários estropiados nas fábricas. De noite escreveria e queimaria seus papéis. Detestaria o pai e tentaria, num ato galante muito mais epistolar do que físico, amar as mulheres. Não sofria com isso. Mas registrou nos seus Diários de mais de quinhentas páginas: “Não faço mal a ninguém e ninguém me faz mal; em compensação, ninguém, absolutamente ninguém, quer me ajudar”. Ninguém, absolutamente ninguém, poderia.
Franz Kafka, mais que um escritor de histórias “absurdas”, mais que um lar alemão, não checo; como alemão da Boêmia, não se integrava à Áustria do império austro-húngaro do seu tempo; como burocrata que trabalhava para operários, não se enquadrava por completo na burguesia; como filho de burguês, não era proletário; mas também não era um simples burocrata de escritório, pois se sentia escritor. Um pária, era tudo isso ao mesmo tempo, sem ser, no entanto, coisa alguma.
Era fruto de um pesadelo linguístico, em segundo lugar. Em 1900, quando ele tinha 13 anos e estudava num elegante colégio germânico, o Alstäder Ring, onde metade do tempo era dedicado aos idiomas mortos, a cidade de Praga tinha 450 mil habitantes, dos quais somente 35 mil falavam o alemão. Kafka nasceu num limbo, mais exatamente na fronteira entre estes dois mundos. Falava perfeitamente o checo, mas escrevia em alemão, uma língua corroída pela sua condição minoritária. Seu estilo lapidar e transparente parecia um ato de puro artificialismo para “salvar” os restos desta fala agonizante: no coração da Boêmia, separada da pátria-mãe, ela estava cortada de suas fontes vivas. Era uma espécie de língua subvencionada, um vampiro que sugou as forças do grande poeta Rainer Maria Rilke, outro checo de fala alemã, obrigando-o, já velho, a frequentar as bibliotecas em busca de termos raros.
Kafka sentia-se como “convidado” desta língua – e daí para o terceiro vértice do pesadelo que foi sua passagem pela Terra encontra-se apenas um passo.
Nela, Kafka se sentia algo assim como um intruso. Nos seus Diários fala apenas dos ancestrais por parte da mãe, Julie Lowy, gente rica, piedosa e erudita, com alguns rabinos e médicos, além de muitos solteirões de compleição frágil, do qual Kafka se sentia herdeiro. O pai, Hermann, não tinha fortuna e jamais deixou de lembrar aos filhos – Franz e três irmãs mais novas – as dificuldades que passou na vida. Sobre o velho Hermann ele escreveria o seu mais irado texto, "Carta ao Meu Pai", de 1919, quando já estava com 36 anos e recebera um veto paterno ao seu noivado com Julie Wohryzek, de uma família judia pobre. “Tudo o que escrevi é a respeito de você”, disse. “Eu só espargi na minha obra a minha tristeza, tristeza que eu não podia expressar chorando reclinado sobre o seu peito”. Não, não era possível. Nem com o pai, nem com Julie, nem com as outras mulheres com as quais tentou relacionar-se, como Felicia Bauer (a quem escreveu mais de quinhentas cartas), Milena Jesenka-Polak (outro tanto) ou Dora Diamant, com quem efetivamente viveu no fim da vida. Felicia tinha um bom emprego em Berlim e estranhava os modos do noivo (casou-se com outro depois do segundo rompimento, em 1917). Milena o adorava, mas era casada. Dora, de 20 anos, foi a única a aceitá-lo, quando finalmente Kafka se mudou para Berlim para um breve – e, segundo ele, “feliz” – matrimônio.
Por certo era tarde demais. Desde 1917, quando teve o primeiro ataque de hemoptise, era como se Kafka tivesse “desejado” a doença que de fato o mataria sete anos depois. Ele queria voltar à casa paterna, da qual só conseguiu livrar-se inteiramente um ano antes de morrer, para ali ingressar como uma criança doente – a mesma e odiada casa na qual uma noite o pai pegou o filho pequeno, que chorava “sem motivo”, para arrancá-lo brutalmente do leito e colocá-lo ao relento num balcão frio. Estranho entre estranhos, Kafka não conviveu com nenhum dos seus contemporâneos depois ilustres, como Rilke e Robert Musil. Tampouco se ligou a uma certa “escola de Praga”, na qual, um pouco antes do Dr. Mabuse da Alemanha pré-nazista, se agitavam monstros e tarados, assassinados e bêbados, fantasmas, idiotas, leprosos e homúnculos. Nada disso. Kafka era um cidadão exemplar.
Advogado por imposição do pai, não bebia, não fumava, era vegetariano, praticava natação, banhava-se em rios gelados e passava férias em colônias naturistas. A lenda do anacoreta, do “gênio ensimesmado”, foi desmentida por ele no seu dia a dia, pois frequentava regularmente – embora sempre desacompanhado – as manifestações políticas de Praga. Tinha simpatias socialistas, conhecia a psicanálise e tomou conhecimento da teoria da relatividade nas palavras do próprio Albert Einstein, que passou algum tempo como professor em Praga e frequentava as soirées promovidas por Berta Fanta, mulher de um farmacêutico rico. Embora prestigiado no emprego, onde ganhou várias promoções, ele o detestava. Mas soube tirar proveito das seis horas por dia que dedicava à companhia de seguros. Participando de uma empresa moderna e muito organizada, viu o funcionamento absurdo, mecânico e irresponsável que massacrava as pessoas. Insistiu nos seus livros numa terminologia jurídica, em portas que se abrem para ninguém, em saídas que se fecham não se sabe por quê.
Sentimento de culpa, julgamento, processo e castigo são os temas obsessivos dos seus escritos. Mas os que se debruçaram sobre eles – e foram inúmeros, no mundo inteiro – se atordoaram com uma obra inclassificável e disparatada, que vai da crônica ("A Muralha da China") ao documento jurídico ("O Processo" e outros), do célebre “romance de educação” alemão, tipo Wilhelm Meister ("América"), ao relato policial ("Um Fraticida, O Processo"), do romance de aventura ("América") à ficção científica ("A Metamorfose"). Coroando e cimentando esta diversidade, Kafka baniu de seu estranho mundo o ponto de exclamação.
“Em Kafka”, escreve um dos seus especialistas, o alemão Günter Anders, “o inquietante não são os objetos ou as ocorrências, mas o fato de que as criaturas reagem a eles como se estivessem diante de fatos e acontecimentos normais”. Gregor Samsa, a personagem de "A Metamorfose", a mais célebre história de Kafka, sente apenas “um leve aborrecimento” pelo fato de se transformar num inseto – ele se preocupa seriamente é com a possibilidade de seu patrão se aborrecer com sua falta ao trabalho.
Kafka não viveu para ver seus textos se transformarem em mania mundial, primeiro na França, onde foi difundido a partir do fim dos anos 20 pelos surrealistas, depois no mundo anglo-saxão e, nos anos 60, no Brasil.
Neste semana chegará às livrarias Conversas com Kafka (Editora Nova Fronteira, tradução de Celina Luz, 232 páginas, Cr$2.600), no qual o escritor Gustav Janouch – então com 18 anos – relata suas recordações de Kafka entre 1921 e 1924. O volume se acrescenta a uma obra quase toda já traduzida (do francês) pelo escritor paulista Torrieri Guimarães, hoje com 50 anos e dono de uma editora, a Soma. “A gente se identificou muito”, diz ele, que leu Kafka pela primeira vez ao traduzi-lo. Além disso, saíram nos anos 60 livros nacionais sobre Kafka, "Vida e Obra", do ensaísta de formação marxista Leandro Konder (hoje em quinta edição), e "Franz Kafka – Vida Heroica de um Anti-Herói", do coronel (hoje general) Danilo Nunes.
Que um crítico de esquerda e um militar lacerdista tenham sido os únicos até agora, revela bem a ambiguidade kafkiana. “Acho que aqui no Brasil ainda vivemos num clima kafkiano demais”, diz Konder. “Sendo um escritor apolítico e tendo-se aproximado simbolicamente da realidade, Kafka deixou os governos totalitários comunistas um pouco perplexos”, comenta Nunes. De qualquer forma, ambos desistiram de Kafka. “Sinto-me meio impotente para enfrentá-lo hoje, não tenho instrumentos”, admite Konder. “Não me arrisco a mais nada”, acrescenta Nunes. Os dois terão, um dia, a companhia de Nélson Mello e Souza, professor de sociologia da Fundação Getúlio Vargas, que há dez anos redige um longo ensaio – já com mais de seiscentas páginas – que se chamará "A Sociologia do Tormento". Nele, Mello e Souza pretende estabelecer as relações existentes entre os textos de Kafka e os produzidos no limiar do século XX pela sociologia europeia, especialmente, Émilie Durkheim, Max Weber e Ferdinand Tönnies, todos seus contemporâneos.
Kafka, no entanto, deu outros frutos no Brasil, apesar de sua modesta vendagem (o recordista, "O Processo", chegou a 30 mil exemplares). “Tenho a impressão de que o uso do adjetivo kafkiano como sinônimo de absurdo e irracional é tipicamente brasileiro”, suspeita o filólogo Antônio Houaiss. Quanto ao dicionarista Aurélio Buarque de Holanda, que o indexou na língua portuguesa, a explicação é mais rasteira: “É um lugar-comum. Tornou-se uma mostra de falsa erudição”, diz.
Kafka, que alguns de seus contemporâneos suspeitavam ser incompreensível “além das fronteiras de Praga”, jamais sonhou com tanta glória. Sonhou, isso sim, em abandonar a cidade que chamou um dia de “maldita”, em conhecer outros países, “olhando da janela plantações de cana e cemitérios muçulmanos”.
Nos seus seis últimos meses de vida em Berlim, com Dora, livre finalmente de Praga e da casa paterna, sonhou até em ir para a Palestina – ele como garçom, ela como cozinheira. Tinha, enfim, lar e mulher, mas também miséria em volta. No apartamento do n° 13 da Grunewaldstrasse faltava carvão no inverno, mas não tanto que impedisse as fogueiras onde mais e mais textos eram consumidos. Sua doença progredia, e em abril de 1924, levado por um amigo de toda a vida, Max Brod, foi internado na clínica do dr. Hoffmann em Kierling, na Áustria. Dali escreveu ao pai de Dora, pedindo-a em casamento, e a resposta veio breve, pois o velho mostrara a carta a um rabino vidente, que disse “não”. Certa manhã, depois de uma noite de agonia, pediu morfina aos médicos. Não foi atendido. Pediu a Max Brod que queimasse seus escritos. Também não foi atendido. Morreu ao meio-dia de 3 de junho de 1924. Era como se a vergonha fosse sobreviver a ele.
Na trilha de um fantasma [caixa de texto adicional]
Sr. K., como era mesmo o seu nome?
Em 1921, em Berlim, o estudante Otto Karpfen foi a uma reunião social no Bayrischer Platz, bairro boêmio elegante, hoje em ruínas, e lá foi apresentado a um rapaz franzino, magro, pálido e taciturno. Falava num tom muito baixo – era tuberculoso – e o jovem estudante mal compreendeu seu nome: “Kauka? Seria Kauka?”.
Na saída, perguntou a um dos presentes quem era o rapaz franzino e ouviu: “É de Praga. Publicou uns contos que ninguém entende. Não tem importância”. Em 1926, Otto voltou a Berlim para tentar receber um pagamento da editora Die Brücke ("A Ponte)" e viu, numa prateleira, uma pilha de exemplares de um livro recém-saído. O dono da editora lhe disse: “Pagar não posso, mas, se quiser, pode levar a tiragem toda. O Max Brod, que teima em considerar gênio um amigo dele, já falecido, me forçou a editar esse romance danado. Estamos falidos, não vendi nem três exemplares. Pode levar tudo. Não vale nada”.
Otto contentou-se, então, em levar um exemplar de "De Prozess" ("O Processo"). O livro escapou do assalto que os nazistas fizeram à sua biblioteca, em Viena, em 1938, e esteve na estante do seu dono até 1978, quando ele morreu no Rio de Janeiro, conhecido no Brasil sob o pseudônimo de Otto Maria Carpeaux. Hoje, a primeira edição de "Der Prozess" está na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo.
Carpeaux, no seu artigo "Meus Encontros com Kafka", incluído na coletânea "Reflexo e Realidade" (Editora Fontana, 1976), conta que os dois episódios absurdos de 1921 e 1926 não foram os únicos. Em 1953, ele foi a Kierling, na Áustria, em busca do sanatório onde Kafka morreu. Achou apenas o filho do dono do sanatório, Dr. Hugo Hoffmann, que se espantou ao ouvir o nome do antigo paciente. “Kafka? Kafka? Já me perguntaram, não conheci, não sei de nada”. E bateu a porta na cara de Carpeaux.
Finalmente, na Biblioteca Nacional da Áustria, uma das mais completas do mundo, Carpeaux não encontrou o que queria na letra “K”. E o diretor da biblioteca, perguntado a respeito, reviveu de maneira igualmente estranha o diálogo de Berlim de 1921. “Não, não conheço. Como é mesmo o nome? Kauka?”
Geraldo Mayrink
IstoÉ
06 jul. 1983
Barbarian, que aqui ganhou o título ruim Noites Brutais, é um filmaço. Não só pelos sustos, diálogos, ótimos atores e arco narrativo surpreendente: lida com temas como masculinidade tóxica, abuso e fantasmas da maternidade de um jeito raro num filme de terror. Cotação: 4 gritos
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There is not much justice in big-time American politics—but it happens now and then, and in those moments it is a very elegant thing to see.
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Anyone who signs a fucking bomb should be put in a mental institution -
For the criminally insane












