Ex Comandante TAP. Autor de três livros. Consultor da Plataforma Combustíveis de Baixo Carbono. Speaker. Analista de aviação na CNN Portugal

Estoril, PT
Joined February 2009
Extraordinário! Pela primeira vez na História a Ucrânia executou a primeira evacuação de um soldado gravemente ferido utilizando um drone especialmente preparado para o efeito. O local era inacessível de outra forma dada a presença de minas e a vigilância permanente de drones russos. Numa primeira fase o equipamento de transporte foi lançado para perto do soldado enquanto os operadores lhe transmitiam as instruções para se instalar. Depois chegou um drone Ayudag 6 de seis rotores equipado com um guincho que içou o ferido e o transportou durante 75 minutos ao longo de 62 km até ao hospital de campanha onde seria assistido. Este drone é produzido pela empresa ucraniana Gurzuf Defence que assim comprova as inúmeras possibilidades deste tipo de equipamentos para fins civis e militares
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Vamos lá então desfazer um mito que há muito corre por aí. Os aviões NÃO usam sempre a máxima potência (impulso, em motores a jato) para descolar. Sendo os motores os componentes mais caros e sensíveis de qualquer avião é necessário saber poupá-los. Assim, por norma os pilotos ou o sistema de gestão de voo usam um método conhecido por temperatura assumida para calcular a potência mínima necessária (FLEX) para fazer a descolagem em segurança em vez de usarem o regime máximo. Potência máxima é usada apenas nas seguintes condições: 1) Para "borregar" (arremeter 🇧🇷). Neste caso é necessário ganhar altitude rapidamente e por isso recorre-se a toda a energia disponível 2) Descolar em pista contaminada com água, gelo, neve ou "slush" (lama gelada). Nestas condições quanto mais cedo o avião começar a voar, melhor. 3) Pistas curtas ou de altitude elevada. Na velha pista do Funchal as descolagens eram feitas obrigatoriamente com tudo o que havia. De igual forma em aeroportos situados em zonas elevadas por vezes é necessário usar potência máxima para fazer face à menor densidade do ar. Só mais uma coisa. Pouco depois da descolagem é habitual os passageiros sentirem uma redução no ruído dos motores: é quando estes passam do regime de descolagem para o regime de subida, que é menos exigente
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Atenção claustrofóbicos! Boeing 737 MAX 8 da United voava de Seattle para Newark a 35,000 pés de altitude quando a meio da viagem uma senhora já com alguma idade ficou trancada num dos WC da traseira do avião. Gritou, deu pontapés na porta, forçou o trinco, causou alarido. Imediatamente acudiram assistentes e comissários de bordo que ao perceberem o sucedido tentaram abrir a porta pelo lado de fora. Sim, existe um mecanismo para esse efeito. Só que a porta resistiu e continuou bloqueada. Avisado o Comandante este decidiu-se por uma aterragem de emergência em Chicago para que os bombeiros conseguissem libertar a infeliz e já ansiosa passageira. Felizmente, sem que ninguém saiba explicar porquê, a porta abriu durante a descida, a emergência foi cancelada e o voo prosseguiu para Newark sem mais incidentes. Não é a primeira vez que isto acontece em Boeings 737 NG ou MAX e a FAA até já emitiu uma diretiva para resolver este problema. Enquanto não resolve sugiro que sempre que vão ao WC de um destes aviões levem convosco um livro ou um iPad para ocuparem o tempo porque a permanência pode ser demorada. O espaço também não é muito (esqueçam aquela fantasia do Mile High Club) e nestas condições pode criar alguma ansiedade
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Memórias da América dos bons velhos tempos. Até 1974 a TAP formava os seus pilotos ab-initio (preparados especificamente para a aviação comercial) naquela que era então a melhor escola de aviação do mundo. Chamava-se Flight Safety Inc e ficava situada em Vero Beach, Florida. Por lá passei cerca de 18 meses até que o meu curso foi mandado para Nova Iorque onde íamos aprender a voar um jato executivo, o HS 125. A primeira imagem mostra o futuro aviador ainda com um look muito "clean" junto de alguns dos Piper Cherokee PA28-140 da instrução básica. Na seguinte vê-se o alojamento dos alunos com as nossas bicicletas à porta e um Triumph Spitfire que pertencia a um holandês instrutor de acrobacia. Finalmente yours truly já com excesso de pelo na cabeça junto do Beech T34 que era usado para treino de acrobacia. Originalmente os pilotos da aviação comercial eram provenientes das Marinhas ou Forças Aéreas dos respetivos países. Em 1960 apenas 20% tinham sido formados em escolas civis. Atualmente a grande maioria dos pilotos é proveniente de escolas civis. A primeira a aparecer em Portugal chamava-se Aeroavia e instalou-se no aeródromo de Cascais em 1980. Depois passou por várias fases e nomes sendo hoje conhecida por Sevenair Academy com bases em Cascais e Ponte de Sor. Em 1989 surgia a primeira escola do norte do país, a Nortávia, baseada no aeródromo da Maia. Hoje existem em Portugal várias escolas de reconhecida qualidade que formam anualmente largas dezenas de pilotos que acabam a trabalhar para companhias portuguesas e estrangeiras. Nem todos conseguem, mas a maioria acabará por ter a sua oportunidade. Qual a grande diferença? Nos anos 70 a TAP pagava o nosso curso, viagens, alojamento e ainda nos dava um "mesada". Nas últimas décadas são os alunos que pagam os respetivos cursos e posso garantir que o investimento é elevado. Sim, os tempos mudaram mas a profissão continua a valer a pena
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O Tesla Roadster voador! Isso mesmo. O carro voa e aterra verticalmente tal como fazem os aviões F35B de 5ª geração. O controle é realizado por 10 propulsores orientáveis que funcionam com ar comprimido. Dois tanques com 600 litros de capacidade albergam 250 kg de ar comprimido. Para subir a rampa e contrariar o efeito da gravidade na parte superior o Roadster está equipado com um sistema de sucção situado no fundo do carro que o mantém agarrado que nem uma lapa. Sai da rampa em voo invertido e depois faz meio tonneau (roll) de forma a ficar com as rodas para baixo. De seguida ativa quatro propulsores orientados na vertical que lhe permitem descer e aterrar suavemente. Faltou só dizer que em matéria de aceleração o Tesla Roadster bate qualquer Fórmula 1 da atualidade: menos de um segundo para acelerar de 0 a 100 km/hora. Um espanto!
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Peço que não estranhem o meu silência em relação às últimas notícias sobre a privatização da TAP. Como já aqui disse uma decisão destas tem sempre uma forte componente política (e económica também) e essa é uma matéria que não domino. A minha vontade seria que a TAP continuasse a ser portuguesa e não apenas uma sucursal de um grupo estrangeiro mas sei bem que nos tempos que correm tal não seria possível. Durante muitos anos tive a maior honra em levar as cores da nossa companhia e da nossa bandeira por esse mundo fora sabendo que a TAP era o mais fiel retrato de todos nós em matéria de virtudes e defeitos. Era "uma merda porque andava sempre atrasada" mas em compensação "tinha os melhores pilotos do mundo". Somos assim, vamos do 8 ao 80 num abrir e fechar de olhos mas a verdade é que não trocava esta pequena família de 10 milhões de almas por qualquer outra. Boa sorte para a nova TAP que apesar das circunstâncias continuará a ser a minha TAP. Continuarei sempre de camisola vestida até que as luzes se apaguem.
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Pequena pausa nos aviões para rolar pelo Gerês em bicicleta. Nāo há palavras para qualificar tamanho deslumbramento
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Há pouco na @cnnportugal a falar sobre a situação aeronáutica na Arábia Saudita. A EASA, European Aviation Safety Agency, alerta as companhias europeias para não operarem destinos na FIR de Jeddah, que corresponde ao espaço aéreo da Arábia Saudita, nem a sobrevoarem a qualquer altitude. O alerta estará em vigor até 16 de Novembro próximo. De igual forma a organização Safe Airspace que monitora riscos de voo em todo o mundo não deixa dúvidas sobre a mesma região: Level 1 - DO NOT FLY
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O Ministro da Justiça (attorney general) dos UAE confirmou que o copiloto do Boeing 737 da Fly Dubai atacou o comandante com o machado de emergência existente a bordo. Um comandante da mesma companhia que viajava como extra crew* para trazer o avião de volta ao Dubai reparou que a porta do cockpit abria e fechava de forma preocupante. Decidiu intervir com a ajuda de um comissário de bordo e alguns passageiros. Imobilizaram o copiloto e retiraram o comandante da sua cadeira para poder ser assistido. Depois o copiloto da tripulação extra crew juntou-se ao seu comandante no cockpit e ambos assumiram o controle do aparelho sem dificuldade de maior. Em resumo, aquela história do "canalizador piloto" que aprendeu a voar no Mayday Mayday estava um bocadinho exagerada como se previa. Desempenhou papel importante no combate ao copiloto suicida e já não foi pouco. *Extra Crew - é quando um ou vários tripulantes viajam como passageiros para serem posicionados numa escala de onde seguirão a trabalhar para qualquer destino. Acontece com alguma frequência, é procedimento normal
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Aeroporto King Khalid de Riyadh, Arábia Saudita, alvo de novo ataque com mísseis durante o dia de hoje. Por enquanto desconheço quais os estragos causados e o número de vítimas. Há notícias não confirmadas que dizem ter sido atingido o terminal de passageiros mas pela densidade da coluna de fumo e fogo não me surpreenderia se outro avião tivesse sido destruído. Segundo o @flightradar24 nas últimas horas só se registaram movimentos de helicópteros neste aeroporto. Até ao momento foram cancelados 313 voos comerciais e mais 223 estão atrasados. Não posso deixar de manifestar a minha perplexidade em relação ao facto de um dos países mais ricos do mundo não ter os seus principais aeroportos protegidos por uma eficaz cobertura anti míssil. Existe um sistema composto por várias camadas (Patriot, Thaad, Hawk) que cobre toda a capital e principais infraestruturas mas depois do que vimos nos últimos dias a sua eficácia estará a ser no mínimo discutível
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Indecente. Um avião civil não poderá ser nunca um alvo militar. Os Airbus A320 foram concebidos para proporcionar segurança a quem neles viaja enquanto que o piloto que os comanda não é mais que uma garantia adicional dessa mesma segurança. O que ontem se passou no aeroporto de Riyadh, Arábia Saudita, é o contrário disso tudo. Aqui deixo o meu respeito e admiraçäo pelo Comandante Hamoud Ali Alkalthami morto por um bombardeamento enquanto preparava o seu Airbus A320 para mais uma viagem. Imperdoável. Isto não se faz
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Eu não dizia? Durante a visita do Secretário de Estado Marco Rubio a Portugal o nosso @mne_pt afirmou que o Lockheed Martin F35A Lightnig II estará a ser "seriamente considerado" para substituir os já velhos e cansados F16 da @fap_pt. Lembro que em 2025 o ministro da @defesa_pt colocava as maiores dúvidas em relação a esta opção por considerar que Portugal ficaria numa total dependência dos EUA. O CEMFA General Cartaxo Alves por seu lado mantém que Portugal precisa de um avião de 5ª geração. A Lockheed Martin admite produzir componentes e fazer manutenção aos aviões no nosso país. Falta só dizer que o investimento rondará os 3 a 5 mil milhões de euros consoante o número de aeronaves a serem adquiridas
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Vivi o suficiente para ler num jornal de referência a nível global que os pilotos são agora uma das principais ameaças à segurança de voo. Os pilotos, leram bem. Diz também o WSJ que ninguém sabe como isto se resolve. A Indústria (fabricantes e operadores) sabe e esfrega as mäos de contente de cada vez que aparece mais um suicida
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Alguém que me explique o que faz um F86 da @fap_pt no Museu Militar de Bruxelas. Não recomendo a visita. Tem alguns aviões interessantes mas muito mal mantidos. O nosso @museudoar podia servir-lhes de exemplo
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Sim, houve uma vez em que o meu copiloto e eu próprio agarrámos um objeto metálico no cockpit. Mas não foi para atacar. Foi para celebrar! @ChampionsLeague
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Afinal não foi uma faca e muito menos um "canivete" que foi usada pelo copiloto do Fly Dubai para atacar o comandante. Foi algo bem pior. Em todos os aviǒes comerciais existe um machado no cockpit para ser usado em caso de emergência. Tem uma ponta afiada tipo picareta capaz de partir uma janela de passageiro mas não as do cockpit. Também foi pensado para abrir um buraco na fuselagem, pelo menos em teoria uma vez que os compósitos devem ser mais "duros de roer" que o alumínio. Lembro-me deste machado desde o primeiro dia da minha carreira porque fazia parte dos items de verificação obrigatória. Sendo assim a arma do crime não foi levada para bordo, já lá estava muito arrumadinha por trás da cadeira do comandante.
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